Alena Alenxandrova. Fotografia: Emily Bates
João Norton de Matos. Fotografia: João Ferran
Rosa Maria Mota. Fotografia: Regina Barroso
Rosa Maria Mota: «Amuleto», c. 1960, Aro de suspensão para amuletos de Fernando Martins Pereira Lda. e medalhas religiosas de várias proveniências inseridas pela proprietária (ouro, esmalte e materiais orgânicos), Ø c. 5 cm. Cortesia e coleção da Ourivesaria Quilate, Viana do Castelo. Fotografia: Vítor Roriz
Kadri Mälk. Fotografia: Toomas Kalve
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            COLÓQUIO
 
MEDO
Alena Alexandrova, João Norton de Matos, sj
e Rosa Maria Mota
Moderação de Kadri Mälk
17 de setembro, sexta
18h–21h
ALENA ALEXANDROVA (Bulgária) é especialista em teoria da cultura e curadora independente. Ensina no departamento de Artes Visuais e Fotografia da Gerrit Rietveld Academy em Amesterdão. Obteve o doutoramento pela Universidade de Amesterdão. Está a escrever o livro Anarchic Infrastructures: Re-Casting the Archive, Displacing Chronologies. É autora de Breaking Resemblance. The Role of Religious Motifs in Contemporary Art (Fordham University Press, 2017), publicou internacionalmente nos campos da estética, performance e estudos visuais e contribui regularmente para exposições e catálogos. Fez a curadoria de exposições sobre o conceito de «anarqueologia». Ensinou no Master of Fine Arts, Faculty of Fine Art, Music and Design, Universidade de Bergen, Noruega, e no Dutch Art Institute, Arnhem.
Foi investigadora convidada no Humanities Center, Universidade Johns Hopkins, Atelier Holsboer, Cité des Arts, em Paris, e palestrante convidada na Academy of Fine Arts, em Nuremberga.
JOÃO NORTON DE MATOS (Lisboa, 1963) é jesuíta desde 1990, foi ordenado padre em 2002. É professor auxiliar convidado de Estética e Teologia na Universidade Católica Portuguesa. Trabalha na Brotéria (revista e centro cultural) e é pároco da igreja da Encarnação, em Lisboa. Em 2018, defendeu a tese de doutoramento em Teologia Fundamental — sobre a crise moderna da arte sacra — no Centre Sèvres, Facultées jésuites de Paris, onde, depois da conclusão da licenciatura pela Faculdade de Teologia da Universidad Pontificia de Comillas, em Madrid, completou o segundo ciclo na mesma área de estudos. Fez o DEA em Estética e Filosofia da Arte na Université Catholique de Louvain, tendo anteriormente completado a licenciatura em Filosofia pela Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica Portuguesa, a licenciatura em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa e frequentado o curso de Desenho Artístico no Ar.Co — Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa.
 
«MEDO»
a noite chega irrequieta de cíclicos ventos, cintilam peixes nas paredes do quarto
durmo sobre as águas e tenho medo (...)
A noite chega-me, Al Berto
 
O medo é inerente à condição humana. Se, por um lado, foi o medo que permitiu a sobrevivência das espécies, por outro, muitos medos arquitectados serviram como meio de controle das populações. Além destes, existem os medos cíclicos, que, com diferente intensidade, nos amedrontam a todos: os medos das doenças, das pestes, da penúria, da infelicidade, de tudo o que nos ameaça e destrói e sobre o que não temos controle. E existem ainda os medos do irracional, dos fantasmas, dos maus olhados e dos bruxedos, fundamentados em mitos ancestrais que passam de geração em geração e que formam o imaginário e o sentido mágico de cada sociedade.
Para combater todos os medos que assolaram o homem, desde sempre se utilizaram componentes encantatórios, que se misturaram com elementos decorativos, muitas vezes confundindo os usos. Apesar da cultura tradicional portuguesa se encontrar fortemente condicionada pelo catolicismo, as peças de índole religiosa misturaram-se com outras que veiculavam crenças mágicas, usadas juntamente com os ornamentos da figura humana. O significado e poder místico destes amuletos estaria ligado ao material e ao formato apotropaicos e à sua inerente simbologia e, durante séculos, contra ventos e marés, apaziguaram medos atávicos. Rosa Maria Mota
ROSA MARIA MOTA (Lousada, Porto, 1959) é investigadora do CITAR – Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes da Universidade Católica Portuguesa, universidade onde, como bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, obteve, após a licenciatura em Arte e Património, o grau de doutor e o de mestre. O seu trabalho de pesquisa incide sobre o ouro popular e o seu percurso, nos séculos XIX e XX, no Norte Portugal. Sobre a temática, publicou livros e artigos, fez apresentações públicas em Portugal, Espanha e Brasil. Foi professora convidada na Universidade Católica Portuguesa, realizou vídeos e participou em documentários e programas de televisão relacionados com o fenómeno da ourivesaria popular em Portugal.
 
KADRI MÄLK (Tallinn, 1958) iniciou os seus estudos de Pintura na Tartu Kunstiakadeemia em 1977, e formou-se na Eesti Kunstiakadeemia, em 1986, com a professora Leili Kuldkepp. Entre 1986 e 1993 trabalhou como artista independente. Em 1993, entrou para o Instituto de Design de Lahto, na Finlândia, para estudar Gemologia com Esko Timonen e completou os seus estudos no atelier de lapidação de Bernd Munsteiner na Alemanha. Colabora com a Eesti Kunstiakadeemia desde 1989 e é diretora e professora no departamento de joalharia desde 1996. Realizou numerosas exposições, a solo e coletivas, e proferiu conferências, tanto na Estónia como internacionalmente. E a sua obra integra várias coleções públicas e privadas. Autora e editora de livros e textos sobre joalharia desde os anos 1990, incluindo: Millennium (1994, 1997), Kadri Mälk (2001), Metal 1, 2, 3 (1999, 2004, 2014), Twilight (2005), Chroma/Monochroma (2006), Just Must (2008), Õhuloss (2011), a edição especial Kunst.ee sobre joalharia (2005, 2012) e os livros de artista Testament (2016) e HUNT: Kadri Mälk’s Jewellery Collection (2020). É joalheira de profissão e metafisíca por ocupação. A marca estética de Kadri é negra, esotérica, poética e sobrenatural. Uma das suas paixões é colecionar joalharia. Vive e trabalha na Estónia.
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