Teresa Morna. Fotografia João Paulo Serafim (detalhe)
Denis Bruna. Fotografia: Direitos reservados
Denis Bruna. Fotografia: Direitos reservados
Teresa Morna. Fotografia João Paulo Serafim (detalhe)
Teresa Morna com colar de Edgar Mosa. Fotografia João Paulo Serafim (detalhe)
João Neto. Fotografia: Mafalda Gomes, Direitos reservados
João Neto. Fotografia: Mafalda Gomes, Direitos reservados
Gonçalo de Vasconcelos e Sousa. Fotografia: Direitos reservados
Gonçalo de Vasconcelos e Sousa. Fotografia: Direitos reservados
Kirstin Kennedy. Fotografia: Cannetty Clarke
Kirstin Kennedy. Fotografia: Cannetty Clarke
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            COLÓQUIO
 
PROTEÇÃO
MÁSCARA, PROTEÇÂO E ELEGÂNCIA
Denis Bruna (FR)
RELÍQUIAS E OBJETOS DE PROTEÇÂO NO PATRIMÓNIO DE SÃO ROQUE [título provisório]
Teresa Morna
OBJETOS DE PROTEÇÃO NA COLEÇÃO DO MUSEU DA FARMÁCIA
João Neto
ADQUIRIR PARA PROTEGER: AFORRAR ATRAVÉS DE JOALHARIA E ADORNOS DE OURO EM PORTUGAL (SÉCS. XVI-XX)
Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
Moderação de Kirstin Kennedy
18 de setembro, sábado
10h–13h
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Wenceslaus Hollar (1607-1677), Winter, 1643-1644. Etching. New York, The Metropolitan Museum of Art, 2018.846.4.  Public domain https://www.metmuseum.org/art/collection/search/816031
A MÁSCARA, PROTEÇÃO E ELEGÂNCIA. Para limitar os riscos de contágio da covid-19, todos fomos obrigados a usar uma máscara. Em alguns países, como a França, a dificuldade em obter máscaras cirúrgicas, no início da pandemia, levou à produção caseira de máscaras de tecido. Quando as máscaras ficaram disponíveis, lojas, lojas de museus e muitos websites ofereceram máscaras de tecido com cores e padrões variados para se diferenciarem da uniformidade e da triste aparência das máscaras azuis. Para uma pessoa preocupada com a elegância, a máscara cirúrgica não fica bem com um fato ou vestido de noite. Designers de moda, «Maisons de Mode» e artistas transformaram a máscara de objeto necessário em acessório de moda que se inscreve numa longa história. Na verdade, do século XVI em diante, pinturas e gravuras mostram mulheres a usar máscaras de veludo negro para protegerem a pele do sol ou para protegerem a sua privacidade. Alguns cronistas dizem, inclusive, que o negro da máscara fazia o pescoço parecer mais branco. Esta reflexão traça a história da máscara, mas examinará também as noções combinadas de proteção e elegância.
 
DENIS BRUNA (Aubagne, 1967)  é doutor em História pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e diretor de investigação e intregrou em 2011 o Musée des Arts Décoratifs de Paris como curador principal das coleções de Moda e Têxtil anteriores ao século XIX. É também professor de história da moda e do vestuário na École du Louvre. A sua investigação centrou-se na história e iconografia da moda, costumes indumentários e o corpo. As suas publicações incluem Piercing, sur les traces d’une infamie médiévale (Textuel, 2001), Bijoux oubliés du Moyen Âge (Seuil, 2008) e Histoire des modes et du vêtement du Moyen Âge au XXIe siècle (Textuel, 2018). Foi curador, no Musée des Arts Décoratifs de Paris, de «La Mécanique des dessous, une histoire indiscrète de la silhouette» em 2013, «Tenue correcte exigée, quand le vêtement fait scandale» (2016) e «Marche et démarche, une histoire de la chaussure».
Teresa Morna
Teresa Morna
RELÍQUIAS E OBJETOS DE PROTEÇÃO NO PATRIMÓNIO HISTÓRICO DE SÃO ROQUE [TÍTULO PROVISÓRIO]. A ideia de proteção está presente em várias dimensões do património da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Esta noção está implícita na própria missão estruturante da Instituição não apenas pela responsabilidade que esta detém no apoio à população mais vulnerável e cadenciada, mas também pelo encargo que assume na conservação do valioso património — de âmbito histórico, artístico, religioso e social — que tem à sua guarda. Este conceito evidencia-se também na própria missão do Museu de São Roque, cuja responsabilidade primordial é conservar os bens culturais que tem à sua guarda para que estes possam ser plenamente fruídos. Mas manifesta-se particularmente na natureza das suas coleções, em especial na coleção de relicários, cuja função original era proteger as relíquias sagradas. Neste universo incluem-se também objetos que extravasam a natureza religiosa e que abraçam uma dimensão social, de que é bom exemplo a coleção de sinais de expostos conservada no Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
 
TERESA MORNA
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Taça contendo Pedra de Goa, Índia, Goa, século XVII.Coleção e Cortesia Museu da Farmácia
OBJETOS DE PROTEÇÃO NA COLEÇÃO DO MUSEU DA FARMÁCIA. «A Pedra de Goa era um medicamento secreto dos boticários jesuítas do século XVII, sendo uma versão executada pelo homem das Pedras de Bezoar, às quais eram incorporadas outras substâncias medicinais. Feita de pasta de pedras de bezoar, barro, iodo, conchas esmagadas, âmbar, almíscar, resina e por vezes de estranhos materiais como raspas de corno de narval (tido como unicórnio), pedras preciosas, corais e pérolas. Era conhecido como antídoto para o veneno da mordedura das serpentes, escorpiões e insetos.» Este é um dos objetos de proteção do Museu de Farmácia que João Neto irá apresentar na sua comunicação. 
 
JOÃO NETO é diretor do Museu da Farmácia e presidente da APOM – Associação Portuguesa de Museologia.
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Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
ADQUIRIR PARA PROTEGER: AFORRAR ATRAVÈS DE JOALHARIA E ADORNOS DE OURO EM PORTUGAL (SÉCS. XVI-XX). Em Portugal, a tradição da aquisição de peças de joalharia e de adornos de ouro, tanto femininos como masculinos, constituía uma forma de cumprir um conjunto de funções sociais e estéticas, que talvez possam alcançar um leque bem mais variado do que se possa, à partida, pensar.
Devido ao valor dos metais preciosos e/ou das gemas neles utilizados, uma das funcões da jóia ou do adorno áureo era a de constituir um meio de que o proprietário se poderia socorrer em momentos de necessidades económicas, fossem elas estruturais ou simplesmente conjunturais. Umas vezes o objecto era vendido, outras colocado em penhor, podendo ser reavido posteriormente. 
Em diversas ocasiões de dificuldades financeiras, naturalmente que em diferente escala, os vários testamentos sociais destinavam os seus adornos preciosos para poderem ser vendidos ou colocados em penhor junto de determinadas pessoas, a troco de uma verba. Existe alguma documentação referente a vendas de peças, mas as informações documentais mais abundantes e estudadas são respeitantes ao empenho de peças de joalharia e adornos de ouro, partindo de informações desde o século XVI até ao século XX.
Será referenciado um conjunto de situações historicamente localizadas em que os adornos preciosos serviram como salvaguarda económica dos seus possuidores, ilustrando o papel das peças desta natureza na proteção do indivíduo ante os problemas de falta de recursos económicos.  
 
GONÇALO DE VASCONCELOS E SOUSA (Porto, 1970) é professor catedrático e presidente do Conselho Científico da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Doutor desde 2002 e agregado em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, desde 2006, onde defendeu a sua dissertação de mestrado em 1997. Diretor do Centro Interpretativo da Ourivesaria do Norte de Portugal (CITAR–EA/UCP) e antigo diretor do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR), de 2011-2016. Académico Correspondente da Academia Portuguesa da História, desde 2003, e da Academia Nacional de Belas-Artes, desde 2001. Presidiu ao Conselho Diretor do Círculo Dr. José de Figueiredo/Amigos do Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, entre 1997 e 2006.
KIRSTIN KENNEDY é conservadora de ourivesaria inglesa e europeia no Victoria & Albert Museum, em Londres, e editora da revista Jewellery History Today, publicação da Sociedade de Historiadores da Joalharia do Reino Unido.