EXPOSIÇÃO
 
oitavas da oficina
JOSÉ AURÉLIO: JOALHARIA
Exposição antológica da obra de joalharia do escultor José Aurélio desenvolvida desde os anos 1950
Curadoria de Laura Castro
Design expositivo de Filipe Alarcão
Design gráfico de Ana Teresa Ascensão
 
Inauguração
29 de julho, quinta
Até 22 de setembro, quarta
Segunda a sábado 10h–19h
 
Visita guiada pela curadora e o artista
30 de julho, sábado
15h-16h
19 de setembro, domingo
11h-12h
 
Finissage
22 de setembro, quarta
18h–20h
 
Galeria Pintor Fernando de Azevedo
 
A OBRA escultórica de José Aurélio é de grande relevo e longevidade, assumindo particular destaque no espaço público. Em paralelo, a sua obra de joalharia foi desenvolvida em estreita afinidade com o seu restante trabalho, como manifestação das suas relações e memórias de amor e até como reflexo do seu posicionamento político.
José Aurélio iniciou as suas primeiras experiências na joalharia no Estúdio SECLA, nas Caldas da Rainha, a partir de 1958. A joalharia passou a ser uma constante na sua vida até à atualidade, numa produção de mais de 60 anos. Projetadas nos mais diversos materiais (cerâmica esmaltada e vidrada, ouro, prata, chumbo, plástico, coral, elementos preexistentes), as suas peças distinguem-se pela sua expressividade e simbolismo. Bárbara Coutinho (MUDE)
 
Parceria MUDE – Museu do Design e da Moda, Sociedade Nacional de Belas-Artes
e PIN – Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea.
 
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LAURA CASTRO
SE A ESCULTURA, particularmente a escultura no espaço público, é a área mais reconhecida da obra de José Aurélio, a criação de joias atravessa todo o seu percurso artístico. A ela se dedica desde os finais dos anos 50, período das experiências em cerâmica no Estúdio SECLA, nas Caldas da Rainha.
Esta exposição tem por base uma ampla escolha de peças capaz de transmitir a diversidade e a abrangência do trabalho de José Aurélio como criador de joias. Tal escolha, que também exalta as afinidades entre joia e escultura, faz justiça a uma obra que não se desenvolve na cronologia linear nem nos códigos e convenções da joalharia.
Assentes na materialização de laços afetivos, na associação a memórias pessoais e a momentos políticos marcantes, as joias são muito mais do que objetos dedicados pelo artista a destinatários e episódios concretos. São manifestações de um processo criativo em estado puro e de um corpo de referências históricas em que reconhecemos sinais da segunda metade do século XX até à atualidade.
Nenhuma matéria, nenhum processo de fabrico, nenhuma forma ou sugestão de forma são estranhas a José Aurélio. O achado e o acaso, a apropriação e a transformação, o uso de matérias nobres e de materiais pobres, o conhecimento e a reinvenção oficinal, o recurso a técnicas entre arcaísmo e erudição cruzam-se numa obra dificilmente classificável.
O gosto por modos de fazer e pela experimentação de processos explica o título desta exposição, oitavas da oficina, que é também o título de um poema de Vasco Graça Moura sobre o universo criativo do escultor.
Laura Castro (Curadora)
 
LAURA CASTRO é doutorada em Arte e Design pela Universidade do Porto – Faculdade de Belas Artes (2010) e mestre em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (1993). Desde 19 de Abril é diretora da Direção Regional de Cultura do Norte. Professora na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, de que foi diretora entre 2013 e 2017, e investigadora do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes da mesma Escola. Entre o início da década de 1990 e 2006, trabalhou no sector cultural. Publica regularmente sobre arte, património e museus. É membro da APHA (Associação Portuguesa de Historiadores de Arte) e da AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte). Presidiu à direção do Círculo de Cultura Teatral/Teatro Experimental do Porto entre 2015 e 2021.