Filomena Silvano. Fotografia. Direitos reservados. Cortesia Filomena Silvano.
Filomena Silvano. Fotografia. Direitos reservados. Cortesia Filomena Silvano.
            ENCERRAMENTO DA BIENAL
 
VESTIMO-NOS PARA NOS TORNARMOS HUMANOS. MAS E O QUE É SER HUMANO?
Palestra Filomena Silvano
20 de novembro, sábado
15h–16h
 
LANÇAMENTO DO LIVRO/CATÁLOGO  
SUOR FRIO: CORPO, MEDO, PROTEÇÃO
Bárbara Coutinho, Cristina Filipe, Teresa Morna e João Norton de Matos.
Moderação de Marta Costa Reis
20 de novembro, sábado
16h30–18h
Slide
Louboutin e David Lynch, 2007. Sabrinas «Fetish Fakhir». Fotografia de Filomena Silvano
VESTIMO-NOS PARA NOS TORNARMOS HUMANOS. MAS E O QUE É SER HUMANO?
Porque é que nos vestimos? Para nos tornarmos humanos. Esta é uma resposta universal. A questão está em saber o que isso significa, tornarmo-nos humanos. Nas sociedades ditas tradicionais tal metamorfose não rompeu a nossa conexão com os outros seres vivos, mas, pelo contrário, no mundo a que chamámos moderno, isso aconteceu.
O que se alterou com o aparecimento do corpo moderno foi a lógica interna do processo, universal, de construção das identidades, em que o corpo está envolvido. Passou a ser mais consciente e esse facto levou os indivíduos a conceberem o seu corpo como uma exterioridade (o meu corpo) modelável, algo que a nossa vontade (e o nosso poder) pode produzir.
Estaremos hoje num momento de viragem? Tudo indica que sim. Não sabemos como fazê-lo, mas procuramos um reencontro com as entidades que, na fina película do planeta Terra onde habitamos, fazem a vida. A crise da covid tornou claro que a nossa existência ou se faz com outros seres vivos ou não se faz. Resta saber como vamos reinventar os nossos corpos nesta nossa nova condição de simples holobiontes. Filomena Silvano
 
FILOMENA SILVANO (Marinha Grande, 1960) é antropóloga, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH) e membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA-NOVA FCSH). No seu trabalho relaciona as questões das identidades colectivas e individuais com o estudo do espaço, do habitat, da cultura material e da cultura expressiva. Integrou várias equipas de investigação e colaborou com o cineasta João Pedro Rodrigues em quatro documentários. É autora dos livros «Territórios da Identidade», «Antropologia do Espaço», «De casa em casa: sobre um encontro entre etnografia e cinema» e «Antropologia da Moda» (no Prelo).